Seja grato!

Gratidão é, além de um comportamento, uma postura que devia está sempre presente em nossas vidas, a cada amanhecer, a cada pôr do sol.

Devemos ser gratos pelo simples de fato de poder respirar, poder viver mais um dia. Quando agradecemos e reconhecemos o que já possuímos, nos abrimos para receber mais.

Certo dia estava em um supermercado, enquanto passava entre as prateleiras, ouvi uma representante de vendas de uma empresa de chocolates conversando com dois colegas. Ela estava mostrando um aplicativo que a empresa havia desenvolvido e disponibilizado para os empregados. Nesse aplicativo, tinha várias opções de “sentimentos” para a pessoas escolherem como estavam se sentindo naquele dia, deviam fazer isso antes de iniciar sua jornada de trabalho.

Ela listou alguns para seus colegas, pude ouvir os seguintes:

  • Estou me sentindo bem
  • Não estou me sentindo bem
  • Estou mal-humorado
  • Estou animado
  • Estou desanimado
  • Estou desmotivado
  • Queria estar em casa agora
  • Estou feliz por trabalhar nessa empresa
  • Estou infeliz nesse emprego
  • Meu salário é baixo

Ela disse que a mais de uma semana, todos os dias estava marcando a maioria das características negativas, e paralelo a esse comentário tecia duras críticas a empresa. Confesso que sai daquele ambiente com um sentimento ruim.

Ao chegar em casa fiquei pensando… O que leva o ser humano a achar que não possui motivos para agradecer? Que não possui motivos para encontrar ao menos uma qualidade em seu trabalho?

Penso que isso acontece porque não acostumamos a olhar para o lado, a enxergar outras realidades. Não vou entrar aqui no mérito que você teve para alcançar o emprego que tem hoje, ou demérito do próximo. Mas quero que pense se realmente não possui nenhum motivo para agradecer.

Vivemos em um país com mais de 13 milhões de pessoas desempregadas, milhões de pais de família que não sabem o que seus filhos vão comer na próxima refeição. Milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza.

Não consigo imaginar a dor que deve ser para um pai de família ver seus filhos passarem fome e não enxergarem um cenário que os faça a ter esperança. Minha vontade naquele dia no supermercado foi de perguntar aquela vendedora se realmente tudo o que dizia saia de seu coração, se por algum momento imaginou que no dia seguinte poderia estar desempregada.

Esse comportamento de revolta e insatisfação é cada vez mais comum nos ambientes de trabalho.

Sabe porquê?

Mais uma vez por causa do nosso descontrole financeiro. Maioria dos empregados insatisfeitos, estão assim, porque acreditam que não ganham o quanto deveriam, que a empresa os explora. Mas eles não percebem que o maior culpado não é a empresa, mas sim suas atitudes fora do ambiente de trabalho.

As pessoas vivem uma vida sofrida quando desempregados, uma vida de limitações e restrições, vivem com o básico. Quando conseguem um emprego em pouco tempo aquele salário já não sustenta mais sua família, já não supre seus desejos e começa a culpar a empresa por seu salário já não lhe atender como gostaria.

O que essas pessoas não entendem é mesmo que seus salários sejam triplicados não conseguiram estabilizar sua vida financeira. O problema não está no quanto ganham, mas sim no quanto gastam.

Portanto, antes de atirar pedras em seus colegas de trabalho, antes de reclamar de seu emprego em voz alta, reclamar de seu salário, procure refletir aonde “mora”o principal culpado de sua vida financeira não está como gostaria. Não se iluda em viver sonhando que amanhã a empresa vai dobrar, triplicar seu salário, seja racional, assuma seus erros e principalmente corrija-os.

Que possamos ser gratos e colher bons frutos durante nossa caminhada.

Pense nisso: “Se a grama do vizinho parece mais verde pode ser porque você olha demais para ela e esquece de regar a sua”. Anderson Alexandre